Dormir é uma função fisiológica de extrema importância para a recuperação do corpo e para a consolidação da memória e das aprendizagens. Já o velho ditado popular nos dizia que deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.
A aquisição de uma boa higiene do sono é imprescindível a um crescimento equilibrado e saudável. Vários estudos apontam o número de horas de sono como estando relacionado com baixo aproveitamento escolar, irritabilidade, comportamentos de agressividade, obesidade, entre outros. Logicamente que o sono é apenas mais um factor explicativo destes problemas, contudo, podemos tentar exercer algum controlo sobre o mesmo.
As rotinas de sono alteram-se com o crescimento. Há várias tabelas que nos dão algumas pistas sobre o número de horas que os nossos filhos deveriam dormir, de acordo com a idade. Esta, retirada de uma notícia do site Observador, dá-nos uma ideia de quanto deveríamos dormir por dia.
Se para nós, mais uma ou duas horas de sono seriam o equivalente ao segundo prémio do euromilhões, para as nossas crianças, o acto de adormecer significa necessariamente um afastamento do pais. Como tal é um momento que gera ansiedade e a que elas naturalmente resistem. Às vezes resistem tanto que chegam a dormir consideravelmente menos do que aquilo que é devido.
Então, o que podemos fazer para melhorar os ritmos ou a higiene do sono? Vamos tentar sumariar algumas dicas:
1. Escolher uma hora para ir para a cama e respeitá-la diariamente. Não quer dizer que não existam dias de excepção, mas essas devem constituir-se precisamente desse carácter.
2. Estabelecer sempre a mesma rotina. Poderá envolver o lavar os dentes, o banho, o ler a história, ou mesmo o arrumar o quarto. De qualquer forma, o importante é reduzir ao máximo a ansiedade da criança evitando constantes alterações na rotina.
3. Evitar ver televisão ou estar ao computador na meia hora que antecede o dormir. Este tipo de estímulos podem dificultar o processo de adormecimento.
4. Consolar a criança. Falávamos há pouco do afastamento. Uma criança ansiosa dificilmente adormecerá de forma suave. Console-a, tente acalmá-la, de maneira a que se sinta segura.
5. Assegure-se de que não têm fome. A fome é uma função que compete com o sono e pode dificultar o adormecer (até a nós, quanto mais a eles!).
6. Ter paciência. Roma e Pavia não se fizeram num dia! E é natural que estas estratégias levem o seu tempo. Não desistam, não se enervem e aceitem que ser criança e não querer dormir são coisas que andam de mãos dadas!
7. Concertação entre pai e mãe. As crianças rapidamente se apercebem das incoerências entre os pais e aproveitam-se disso para ficarem mais um bocadinho acordadas.
8. Reforço positivo. É importante elogiar a criança pelas suas conquistas e pela autonomia que vai adquirindo. Quando adormecer sozinha ou pedir para ir para a cama ou até iniciar a rotina por si mesma, elogie-a.
9. Desvalorize as birras (e faça muito uso do ponto 7 e 8). Os comportamentos mais birrentos e irritáveis são naturalmente formas de chamada de atenção e também uma maneira de libertar a tensão causada pela ansiedade de separação que noite traz. Quanto mais importância e tempo dispendemos a gerir estas birras, mais reforçadas elas saem. Deixe-as espernear dentro do aceitável, deixando-as resolver sozinhas esse momento. Por vezes também é preciso chorar ou gritar. A regulação e controlo desses processos emocionais ainda são pequenos nas crianças e o sono não ajuda. Se dermos demasiada atenção ou importância à expressão desajustada, isso irá funcionar como um reforço positivo e conduzir a mais comportamentos semelhantes de futuro.
10. Quando tudo falhar (porque falha sempre alguma coisa), não se recriminem. Há dias que a nossa paciência tem pavio curto e tendemos a fazer o que não gostamos ou que evitamos a todo o custo. Não se recriminem. Ninguém é perfeito. O importante é voltar a tentar!
E as nossas mães que muitas, têm mais conselhos para dar?
AG
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